ecoturismo
Por favor encontre nesta seção varias possibilidades para observação de aves, observação de golfinhos e varias excursões para ver e aprender sobre os tesouros naturais do Algarve de uma forma interpretativa sob o acompanhamento de guias da natureza devidamente credênciados e certificados.
Para ficar com uma ideia da geologia e biodiversidade do Algarve podemos considerar varios ecossistemas ou habitats:
- Arribas
- Dunas
- Estuarios e lagoas
- Corredores riparios
- Arbustos
- Bosques e florestas naturais
Arribas
Para oeste, Até à Ponta do Telheiro (Vila do Bispo), as arribas são talhadas em formações xisto-grauvaquicas do Paleozoico (300 milhões de anos) que moldadas pela erosão ao longo da sua longinqua evolução geologica, dão origem a curiosos relevos. O topo das arribas é aplanado, tendo constituido uma antiga plataforma de abrasão quando, ha cerca de 2 milhões de anos, esta zona encontrava-se submersa abaixo do nivel das aguas do mar. Na costa sul até ao Burgau, as arribas são constituidas por calcarios, margas e arenitos. Rochas mais recentes com cerca de 200 milhões de anos. A partir do Burgau, dominam as rochas carbonatadas (biocalcarenitos com grande abundância de fosseis marinhos) do Miocénico Inferior (16,5 a 24 milhões de anos) tipicamente cortadas e rendilhadas pela erosão marinha ao longo de milhões de anos (carsificadas), onde são frequentes geoformas como os leixões destacados, os algares e as grutas.
As condições ambientais nas arribas são extremas. A vegetação das arribas esta porém bem adapatada ao substrato rochoso e ao ambiente seco e salgado, onde são constantes os aerossois salinos e os ventos marinhos fortes. São tipicas destes habitats espécies do género Limonium, bem como o pampilho-maritimo, o funcho-do-mar e a salgadeira, que também pode ser encontrada em ambientes salgados de sapal.
As paredes rochosas que constituem as arribas, sobranceiras ao mar e inacessiveis a predadores, são locais preferênciais de descanso, alimentação e nidificação para diversas aves. Foi o caso da aguia-pesqueira na Costa Vicentina, agora ausente do territorio português. Outras aves tipicas das arribas são os falcões (falcão peregrino e francelho), a gralha-de-bico-vermelho a gaivota-argêntea e os andorinhões. Também os leixões isolados constituem locais de interesse para garças e corvos marinhos. As numerosas galerias e grutas tipicas das arribas carsificadas da costa sul albergam varias espécies de morcegos cavernicolas.
Sistemas dunares
A oeste, na Costa Vicentina, podemos encontrar extraordinarios campos dunares fosseis que se estendem sobre o topo das arribas para o interior. Estes sistemas constituem um habitat de elevado valor paisagistico e ecologico, que detêm espécies botânicas unicas no mundo como a Avenula hackelli e a Chaenorhinum lusitanicum. Campos dunares mais recentes e activos encontram-se associados à foz de ribeiras, como nas praias da Amoreira e da Carrapateira. Na costa sul, é no sotavento arenoso que os sistemas dunares são dominantes, à excepção do complexo dunar da Meia-Praia (Lagos, barlavento), com destaque para as barreiras arenosas da Ria Formosa.
Também as plantas das dunas possuem adaptações extraordinarias que lhes permitem tolerar condições agrestes: soterramento pelas areias, venntos fortes, salinidade e insolação elevadas, e escassez de nutrientes e de agua. Devido à rapida variação das condições do meio, desde a praia até ao interior das dunas, a vegetação apresenta uma sequência espacial tipica:
- Na linha da maré-alta aparecem espécies pioneiras, muito tolerantes à salinidade e que utilizam os nutrientes depositados pelas marés, como a eruca-maritima.
- As dunas primarias formam cordões paralelos à linha de costa, muito moveis. Aqui é dominante o estorno, que confere estrutura à duna com os seus longos rizomas. O narciso-das-areias e o cravo-das-areias são duas plantas vistosas destas dunas.
- Nas dunas secundarias, mais afastadas da exposição maritima e com mair teor de humidade, surgem plantas lenhosas de porte amoitado, como a aromatica perpétua-das-areias.
As espécies animais que conseguem viver nas dunas são sobretudo borboletas e escaravelhos, lagartixas e o sardão, e micromamiferos (ratinhos e musaranhos). Algumas aves nidificam nas dunas como a chilreta, o borrelho-de-coleira e o garajau-comum
Sistemas estuarino-lagunares
Estes sistemas, regionalmente chamados de rias, ocupam grande extensão de costa Algarvia, destacando-se a Ria Formosa no sotavento, com cerca de 60km de comprimento e 18.400 ha de zona humida. No barlavento, é a Ria de Alvor a zona humida de maior importância.
A existência de barreiras arenosas e a dinâmica das marés da origem aos sistemas estuarino-lagunares e aos seus sapais. Estes ecossistemas contam-se entre os mais produtivos do planeta, dispondo de grandes quantidades de matéria orgânica depositada diariamente com as marés, durante todo o ano. Os sapais também são considerados os "rins da terra", uma vez que retêm a agua, filtrando poluentes e reciclando nutrientes em excesso.
As plantas dominantes nestas zonas estão adaptadas ao teor de salinidade na agua e no solo e distribuem-se de acordo com a sua tolerância a periodos de imersão. Quase sempre imersa em aguas pouco profundas, encontra-se a erva-marinha, uma planta da familia das Zosteraceas. A spartina maritima, também conhecida por morraça, preenche a primeira linha de sapal junto à agua salgada. Progressivamente e em areas menos sujeitas às inundações pelas marés, observam-se espécies do género Sarcocornia, a salgadeira e a marisma-negra, esta ultima restrita à costa Algarvia.
Nestes sistemas, a diversidade biologica é notavel. A agua estuarina funciona como refugio e como zona de alimentação, crescimento e reprodução para muitas espécies de peixes, moluscos e crustaceos, graças à sua amenidade e riqueza em nutrientes.
Na costa Algarvia, também a avifauna encontra nestes ambientes condições previlegiadas para local de invernada, local de nidificação ou como ponto de paragem durante as passagens migratorias entre a Europa e Africa. Com mais de 30.000 aves, a Ria Formosa é, em termos de invernada, a segunda zona humida mais importante do pais.
Corredores Ripicolas
No Algarve os cursos de agua de média e pequena dimensão são de caudal temporario e regime torrencial, secando em todo o seu curso de agua ou apenas em alguns troços, durante a época estival.
A vegetação densa das margens das ribeiras é fundamental enquanto habitat para plantas e animais que se encontram restritos a esses meios, como a adelfeira e o lagarto-de-agua, espécies que no Algarve apenas se podem encontrar em Monchique. A vegetação ripicola exerce ainda um efeito regulador, redzindo a natureza torrencial das ribeiras e contribuindo para amenizar tanto a seca estival como as cheias do periodo humido, com um impacto positivo na disponibilidade de agua.
Entre as espécies dominantes e mais resistentes às flutuações dos niveis de agua, salientam-se o loendro e a tamargueira, acompanhadas pelas silvas e pelo tamujo. A ocorrência de florestas galeria é mais rara ocorrendo sobretudo nos troços estaveis das ribeiras onde se podem encontrar arvores como o salgueiro, o choupo, o freixo e, no Barlavento, o amieiro. Nalguns troços a exotica cana impõe-se como dominante, reduzindo assim o valor ecologico deste habitat.
Quanto à fauna piscicola, destacam-se o savel e a savelha (peixes migradores) , o barbo do sul a boga do Guadiana e a boga-de-boca-arqueada, estes três ultimos endémicos da Peninsula Ibérica, bem como as apreciadas enguia e lampreia. é de salientar ainda a boga-do-sudoeste, endemismo das bacias dos rios Mira e Arade, e o saramugo, endemismo do Guadiana é um dos peixes mais ameaçados de extinção do mundo.
As espécies de avifauna mais comuns dependentes dos corredores ripicolas são os passeriformes embora se saliente também a presença das aves de rapina como a aguia-de-Bonelli. Entre os mamiferos, é a lontra o mais conhecido habitante das ribeiras. O cagado-mediterrânico e as cobras-de-agua, bem como as salamandras são facilmente observaveis nestes habitats.
Matos
Os matos, designação que se atribui à vegetação de porte subarbustivo e arbustivo, são a formação vegetal mais abundante no Algarve, representando formas condicionadas pela carência de agua ou etapas sub-seriais dos bosques e florestas originais. A desflorestação historica (para fins agricolas, pastagens e industria madeireira) juntamente com as Campanhas dos Cereais da primeira metade do século XX, reduziram drasticamente a area coberta por matagais espontâneos e bosques de carvalhos (Quercus spp.) Abandonada a cultura cerealifera, os solos ficaram expostos à erosão, estando hoje em lenta regeneração e cobertos em grande parte por mato baixos, sobretudo estevais.
à exceção de locais como Monchique, com microclima subhumido a humido, as condições climaticas no Algarve tendem para a secura, com um periodo estival longo e sem precipitação. Assim, enquanto que as plantas herbaceas reduziram o seu periodod de vida à estação humida, permanecendo sob a forma de semente durante o verão, as plantas lenhosas desenvolveram adapatações varias para reduzir o stress hidrico durante o periodod de estio, por exemplo as folhas persistentes, coriaceas e pequenas, protegidas por oleos e vernizes, sendo assim frequentes, nos matos, as chamadas plantas aromaticas.
Na serra, sobre solos siliciosos, dominam os estevais de Cistus Ladanifer, acompanhados por tojos espinhosos. No barrocal, sobre solos calcarios com afloramentos rochosos, dominam os rosmaninhos, os sargaços, o carrasco e a palmeira-anã, a unica palmeira originaria da europa.
é possivel observar no Algarve comunidades vegetais endémicas com espécies unicas, de que são exemplo:
- As comunidades da Peninsula de Sagres com Cistos palhinhae (esteva-de-Sagres) e Genista hirsuta ssp. algarbiensis (tojo-do-sul).
- O tojal de Sagres com Ulex erinaceus (tojo-de-sagres).
- O tomilhal do barrocal com Teucrium lusitanicum (polium) e Thymus lotocephalus (tomilho-cabeçudo).
-Os matos com Stauracanthus boivinii (tojo-gatum) e Tuberaria major (alcar-do-Algarve) entre Faro e Quarteira.
Os matos abrigam mamiferos de médio porte e de comportamento esquivo como o gato-bravo a geneta e o saca-rabos. Os encontros mais provaveis serão com a raposa e o javali. Quanto às aves, facilmente identificaveis, quer pelo seu canto quer visualmente são o rouxinol, o abelharuco, a popa o melro e o papa-figos.
Bosques e Florestas Naturais
Os bosques e florestas naturais, ao contrario das matas de produção, são formados por diversas espécies e possuem uma estrutura complexa e multi-estratificada, ou seja, as diferentes espécies distribuem-se em mosaico e preenchem os varios estratos: herbaceo, arbustivo e arboreo. Deste modo a estabilidade do ecossistema esta maximizada, suportando cadeias teroficas complexas e grande diversidade biologica.
Na bacia mediterranica a floresta natural climacica (etapa mais complexa e estavel do ecossistema) é constituida por bosques esclerofilos, sobretudo de espécies do genero Quercus, como a azinheira, o sobreiro, o carvalho e o carrasco. As formações mais comuns no Algarve são as espécies de folha persistente, como os azinhais (Quercus rotundifolia) e sobreirais (Q. suber), encontrando-se ainda alguns carvalhais residuais de Q. faginea em barrancos mais humidos. Na Serra de Monchique, que constitui uma ilha geologica e climatica, encontram-se também carvalhais reliquia de Q. canariensis, embora em risco de extinção e de caracter residual. Os medronhais, matagais altos denominados por medronheiros (Arbutus unedo), constituem normalmente as orlas naturais dos bosques de Quercinias.
Outras formações tipicas do territorio algarvio são os bosques de zambujeiro ou oliveira-brava (Olea europaea var. sysvestris) no barrocal e os matagais arborescentes de zimbro (Juniperos turbinata), que ocorrem sobre solos rochosos siliciosos (Monchique e Guadiana) ou calcarios (barrocal e litoral) e ainda em solos arenosos costeiros.
As matas de pinheiro-bravo e pinheiro-manso em areias e na faixa litoral, embora tendo constituido matas de produção, consideram-se florestas semi-naturais, de consideravel interesse ecologico. é também o caso dos pomares abandonados ou pouco intervencionados, de espécies há muitos séculos aqui introduzidas, como a oliveira, a amêndoeira e a alfarrobeira. Os motados represetam u tipo particular de floresta semi-natural, com estrato arbóreo pouco denso e zonas de pastagem no sub-coberto, cumprindo importantes funções ecológicas. A cortiça é o grande recuso produzido pelos monados de sobro.
As áreas florestais são dos útimos redutos no Algarve para as grandes aves de rapina como a Águia de Bonelli.
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